{"id":106,"date":"2020-08-11T11:47:47","date_gmt":"2020-08-11T11:47:47","guid":{"rendered":"https:\/\/joanaluisamatos.com\/?p=106"},"modified":"2021-05-07T15:53:43","modified_gmt":"2021-05-07T15:53:43","slug":"testeb-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/joanaluisamatos.com\/index.php\/2020\/08\/11\/testeb-7\/","title":{"rendered":"FELICIDADE E A DICOTOMIA DE UM PORCO ESPINHO"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Nas minhas leituras e deambula\u00e7\u00f5es sobre autoconhecimento deparei-me h\u00e1 uns tempos com uma met\u00e1fora curiosa sobre o conceito de felicidade. Muito bem descrita pelo fil\u00f3sofo e historiador Leandro Karnal no seu livro \u201cO Dilema do Porco Espinho\u201d, fala sobre o seguinte:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Arthur Schopenhauer, fil\u00f3sofo alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, na sua juventude gostava de escalar montanhas. E numa dessas aventuras, durante o Inverno, reparou num grupo de porcos espinhos que sentiam frio. Ora como sentiam frio, aproximavam-se uns dos outros para se aquecerem. Mas, ao mesmo tempo que se aproximavam, espetavam-se, o que os fazia se afastarem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Reparem que isto \u00e9 uma alegoria formid\u00e1vel, para representar a din\u00e2mica humana. O frio que os porcos espinhos sentiam representa o isolamento, o medo da solid\u00e3o, de n\u00e3o ter companhia, de n\u00e3o ter em quem confiar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O Homem \u00e9 um ser greg\u00e1rio e portanto \u00e9 imposs\u00edvel pensar em felicidade sem ser de uma forma relacional. Todos os momentos de alegria ou dor t\u00eam quase sempre uma rela\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas voltemos ao porco espinho e \u00e0 sua alegoria:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Eu, ser humano, aproximo-me das pessoas porque sinto \u201cfrio\u201d, tenho medo de estar s\u00f3, mas as outras pessoas tamb\u00e9m t\u00eam as suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas, suas sombras, suas diferen\u00e7as, seus \u201cespinhos\u201d. E eu tamb\u00e9m incomodo os outros com os meus pr\u00f3prios \u201cespinhos\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Quanto \u201cfrio\u201d eu serei capaz de suportar? Quanta dor suportarei em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a ou aus\u00eancia dos outros?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Este \u00e9 o grande dilema e ao mesmo tempo a grande beleza que se encontra quando se adquire a sabedoria de equilibrar esta preciosa balan\u00e7a!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A balan\u00e7a entre os nossos desejos e vontades e as concess\u00f5es que temos de fazer para existirmos numa sociedade com as suas regras, ou at\u00e9 mesmo na sua c\u00e9lula base, a nossa fam\u00edlia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esse di\u00e1logo permanente \u00e9 para mim a grande chave da felicidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Se fa\u00e7o tudo o que os outros querem, ou em fun\u00e7\u00e3o do que os outros pensam terei poucas oportunidades para ser feliz! Por outro lado, se fizer apenas o que eu quero, gerindo a minha vida apenas pelos meus pensamentos e desejos, corro o risco de me tornar um ser insuport\u00e1vel, narcisista e intolerante que n\u00e3o sabe dialogar e interagir com os demais \u201cporcos espinhos\u201d que, naturalmente, se afastar\u00e3o!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Isto leva-nos a uma distin\u00e7\u00e3o muito conhecida na literatura e na filosofia que \u00e9 a diferen\u00e7a entre solitude e solid\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Solitude \u00e9 a capacidade que o ser humano tem de se isolar de forma produtiva. Por exemplo, eu afastar-me para ler um bom livro, para escutar uma boa m\u00fasica, para desfrutar de um passeio \u00e0 beira mar. A solitude n\u00e3o traz dor, a solitude traz momentos transformadores que nos permitem obter uma melhor rela\u00e7\u00e3o com os outros. As grandes quest\u00f5es da vida s\u00e3o avaliadas e ponderadas em momentos de isolamento, de solitude.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como diz Leandro Karnal \u201c a solitude deveria ser prescrita, tal como um medicamento\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sem adquirirmos a capacidade de nos isolarmos e nos sentirmos bem connosco, n\u00e3o seremos capazes de nos relacionarmos com os outros vivendo essa rela\u00e7\u00e3o de forma mais profunda e intensa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Solitude \u00e9 uma virtude, solid\u00e3o \u00e9 um defeito.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Algo est\u00e1 mal quando n\u00e3o conseguimos estar sozinhos, ou n\u00e3o nos sentimos bem com a nossa companhia!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Algo est\u00e1 profundamente errado quando n\u00e3o conseguimos ficar junto dos outros e bem!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Solitude e solid\u00e3o, o frio e os espinhos, o medo da solid\u00e3o e a necessidade de ficar sozinho. A busca incessante e necess\u00e1ria da nossa identidade, o mergulho interior <em>versus <\/em>a mat\u00e9ria greg\u00e1ria da qual somos feitos que nos permite viver numa sociedade organizada e com regras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Equil\u00edbrio, a palavra que se imp\u00f5e, sempre!<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>Joana Lu\u00edsa Matos<\/em> \u2013 Setembro de 2020<br \/><em>Fonte: &#8220;O Dilema do Porco Espinho&#8221; &#8211; Autor: Leandro Karnall<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas minhas leituras e deambula\u00e7\u00f5es sobre autoconhecimento deparei-me h\u00e1 uns tempos com uma met\u00e1fora curiosa sobre o conceito de felicidade. Muito bem descrita pelo fil\u00f3sofo e historiador Leandro Karnal no seu livro \u201cO Dilema do Porco Espinho\u201d, fala sobre o seguinte: Arthur Schopenhauer, fil\u00f3sofo alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, na sua juventude gostava de escalar montanhas. 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